Análise da obra

S I L L – é um exemplo vivo que inspira e transborda criatividade, amor ao que faz, sobretudo Cartum e afins. Um destes casos, singular, onde a vida e a arte se entrelaçam,  e o destino desdobra segredos. A originalidade nos traços, e na linguagem, doou a Sill um modo bem simbólico de construir relatos sobre sua realidade. Sendo assim o objeto deste livro é simultaneamente:

  • o artista pela evidencia factual do espírito guerreiro e empreendedor pernambucano;
  • e sua obra pela riqueza de detalhes em utilizar expressões coloquiais do cotidiano como síntese de compreensão moral.

Arthur BigHead

(bacharel em Filosofia, músico, consultor cultural)

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…o que dizer? Pois é… conheci o peculiar trabalho desse camarada através de uma carta ( artefato raro e anacrônico hoje em dia…) lá no final do século passado. E lá veio aquele zininho modesto , no formato de um livrinho de cordel. Modesto na aparência, pois era recheado de um material tão genial quanto simples: os trabalhos do Sill.

E assim a gente se inteirou das opiniões das Vacabundas, do Pitulino… do pensamento sarcástico e politizado desse grande cartunista. Sim, porque mesmo exposto numa estrutura modesta, o material tinha a inconfundível personalidade de um “trabalho de autor” – e engana-se aquele que pensa que é fácil criar algo simples… basta ver um cartum ainda na fase do lápis pra ver que o buraco é mais embaixo. O cabra é bom!

Sill é daqueles camaradas que brinca nas onze. Cobra escanteio, corre pra área, faz o gol de bicicleta e com uma latinha de cerveja na mão – e não derrama o precioso líquido na manobra! E por ser esse sujeito “camarada”, despeja em suas páginas e cartuns toda a sabedoria e graça do povo, comentando com toda a sua personalidade os acontecimentos da política, o comportamento nada ecológico, a irracionalidade do “pensante” ser humano, os comentários de boteco, e uma fina crítica sócio-política disfarçada de “desenho simples”.

“Simples”? Ora, ora… o que dizer?

Simples: mergulhem neste livro…

Henry Jaepelt, Indaial (SC)

Cartunista

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SILL e o CARTUM

Um nome no mundo cultural que evidencia a MARCA CARUARU na área do cartum: SILL. Caruaruense, 37 anos, Sivanildo de Oliveira Silva iniciou-se na atividade aos 17 anos, o que lhe permitiu produzir e publicar ao longo dos últimos 20 anos, centenas de trabalhos.

Cartuns divulgados, inicialmente em fanzines – através de cartas e no corpo a corpo, de mão e mão .Uma tarefa “guerrilheira” para romper o cerco, uma atitude normal na atividade do artista que busca seu espaço, um objetivo.

A coroação aconteceu  n´uma mostra internacional ( Expofanzines) em Ourense , na Galícia espanhola . O pernambucano SILL teve seu trabalho exposto e visto por centenas de espanhóis e europeus outros, no ano de 1999.

Há quase uma década, o cartunista SILL vem colaborando com a revista CARUARU HOJE, difundindo o seu traço critico, humorado, abordando os fatos do dia-a-dia, do cotidiano nordestino-brasileiro-universal. Política, comportamento, meio ambiente, são temas relevantes para reflexão da sociedade. O cartunista, por intermédio do seu fanzine CORDEL COMIX e seus quadrinhos, utililizou um importante meio para repercutir sua obra.

É um formato – no tamanho do folheto de feira – ao qual estamos visualmente acostumados. É bem nordestino-brasileiro e sem dúvida universal, tendo em vista a abordagem que o trabalho acentua.

SILL tem opinião definida sobre a missão cultural do seu trabalho: proporcionar humor para o público leitor, enfocando assuntos que se  sucedem no nosso tempo, em função do seu local de trabalho e com a utilização do vocabulário da nossa população, de raízes rurais.

SOUZA PEPEU

( Jornalista, editor da Revista CARUARU HOJE )